A PUC-RJ é mundialmente conhecida por produzir economistas que só se preocupam com uma coisa: suas próprias genitálias. Mas na semana passada, o (Pedro de) Lara Resende fez algo inédito: foi mexer na genitália dos outros. Disse, no Valor, que Keynes está morto porque chegamos ao limite físico do planeta. Duas bobagens olímpicas, mas que juntas trazem algo latente. O meio ambiente não é um limite. É o homem tropeçando em sua incapacidade de se autodeterminar, o Aufhebung de Hegel em que a flor pressupõe o fruto. Quando o homem se tornou capaz de sintetizar um elemento orgânico, a ureia, imaginou que podia sintetizar também a organicidade. O problema é que a organicidade está fora dos limites do ato criativo do capital, que deve a sua universalidade à existência de homens partidos. O meio ambiente aparece como coisa externa ao capital porque é aquilo que o capital não pode ser: um mundo possível.
A segunda natureza não passa de uma “boceta cinzenta afundada no mundo”, diria James Joyce, estéril, invejosa da primeira, que cria o diferente e não o partido. Estou afirmando exatamente o oposto daquela máxima de que vivemos num mundo de recursos limitados para desejos ilimitados. O capital é que é um limite, uma aproximação do infinito, sempre assombrado pelos seres autótrofos – capazes de produzir seu próprio alimento. O (Pedro de) Lara disse que não há mais bolha para criar que permita que a degeneração do capital continue existindo como latência. Apontou para o pau do Keynes e disse: é broxa. Parem as rotativas, o nosso amigo descobriu a única enfermidade legítima da natureza humanizada: a impotência.